21.2.08

Urbano

Tinha algo parado na goela. Não sabia o que era e nem o que faria pra tirá-lo de lá. Um nó... um caroço, talvez. Fui pro bar.
Conhaque vagabundo e uma garrafa de cerveja.
Gole no conhaque, gole na cerveja, trago no cigarro. O nó ia se desfazendo... lentamente. Outra dose, outra cerveja, uns três ou quatro cigarros. Meu ombro já não tinha o mesmo peso de antes. Era como se aqueles copos me exorcisassem. Arrancassem de mim a culpa, o medo, a raiva, a angústia. Eu ia diluindo meus sentimentos e meus rancores a medida que a dose ia acabando.
Na terceira dose de conhaque o telefone tocou. Ignorei o indentificador de chamadas e atendi, num susto:
- Alô?
- Ju?
- Vai tomar no cu. Antes que eu me esqueça.
Com o nó desfeito, os ombros leves e um coração partido, tomei o rumo de casa.
Amanheci preto e branco.

2 comentários:

Marco disse...

Da hora! Quase uma letra de música!
Poesia boêmia total...

Fábio disse...

Grande Aldo! Pois será muito bem-vindo em nossas "reuniões", cara!

O PPS é o antigo PCB. Apesar da semelhança nas siglas, há muitas diferenças em relação ao PC do B e ao PSB, que são "lulistas" de carteirinha!

Quanto ao comentário que deixou nos meus pitacos, concordo contigo. Saber a hora de parar, afinal, é uma virtude. E essa passou longe do "Comandante" Fidel, infelizmente.

Abraço!