24.1.13

Digestão (lembrança)


é impressionante a capacidade que os humanos tem de comer um ao outro sem sentir absolutamente nada. somos plenos canibais de sentimentos. mastigamos sem pudor qualquer carinho, ódio, admiração, respeito, amor, dedicação, entrega... mastigamos, digerimos e cagamos. cagamos e andamos para tudo que os outros sentem por nós e pelo que nós sentimos pelos outros.
dia desses, bebedeira infernal e lamentos corriqueiros, pra espantar a merda fresca que é a solidão naquele quartinho abafado do centro da cidade, resolvi que iria no puteiro. resolvi por resolver. não estava afim de sexo, sexo. tava afim de compartilhar qualquer coisa que ainda existisse em mim depois de tanto tempo apanhando da vida.
entrei, peguei um bourbon e me sentei no balcão. humanos do sexo feminino de diversas raças transitavam num ambiente esfumaçado, cheirando a lavanda e cigarro e mofo. umas luzes coloridas alteravam o rosto das pessoas de modo que não dava pra saber se a moça parecia a Pamela Anderson ou o Dee Snider. difícil. uma delas se sentou ao meu lado.
ficou quieta, me olhando. depois me chamou de "Grandão" e perguntou se eu não queria pagar uma dose pra ela. não importa em que lugar da galáxia você esteja, esse protocolo tem que ser seguido. ela bebeu meia dose numa golada e me encarou. pegou no meu pau, mole, e perguntou se eu queria subir. disse que ficaria por ali, conversando um pouco e pagaria outra dose se ela quisesse.
ela quis.
eu não disse duas palavras a mais e ela começou a entrar no papo. tomamos umas 3 doses cada um e ela pulou pro meu colo. me arranhava a nuca, me mordia a orelha e se esfregava em mim vigorosamente, até sentir que eu tinha reagido.
- adoro homens do seu tamanho...
- é?
- quero te chupar... vem?
- não pago.
- eu disse que cobraria? - e me arrastou corredor a dentro.
ela se ajoelhou e fez um belo serviço. um boquete sensacional, molhado, cadenciado... mordiscadas na medida certa, língua no saco no momento oportuno, engolidas até o talo sem engasgar. passava a cara no meu pau, gemia, beijava a cabeça. uma mamada completa e divina.
ela sacou que eu ia gozar. abriu o sutiã e deixou a porra banhar aqueles mamilos duros, apontando para o meu rosto. limpou tudo com a língua. eu estava intacto e pronto pra mais uma.
ficou me olhando, ainda ajoelhada.
fechei o zíper, apertei o cinto, joguei a camisa nas costas e, antes de sair, vi que ela ainda me olhava. me olhava de um jeito profundo. os olhos esperançosos, intensos. eu não soube o que fazer. hesitei. mas me virei e saí.
deixei a grana sobre o balcão, instintivamente virei pra trás e lá estava ela, com aquele rosto distorcido, os olhos intensos, negros e tristonhos, me olhando partir.
to deitado na cama e não tenho sono. os olhos dela não saem da minha cabeça.
não digeri os sentimentos da garota. espero que ela tenha digerido o que engoliu de mim.