6.9.07

Quase dá pra ter fé na humanidade

Cena inusitada:


Saindo do trem, na estação Vila Olímpia, ao lado da Daslu. Chique, não? rs...


Meu bolso esquerdo estava furado e eu não percebi. Guardei um troco no bolso... R$0,75. Caiu uma moeda de R$0,10. Um senhor, abaixou e pegou. Eu e meus pensamentos imundos, decorrentes de um convívio intenso com a sociedade podre que habita a paulicéia: "ele vai pegar meu dinheiro". Aí um raio caiu na minha cabeça...

- Ó, caiu dez centavos seus aqui.


Quase dá pra ter fé na humanidade, né não, Luís Mauro?




Li a triste nota sobre a morte de uma das mais belas e potentes vozes do mundo: Luciano Pavarotti.
Não sou de demagogia, nem gosto de charme de intelectual, mas gosto de música clássica. O pouco o bastante pra saber quem são os três tenores e conhecer um pouco dos mais famosos compositores da história.
Aprendi a ouvir música clássica com a minha avó. Nunca fiquei ao lado perguntando quem era, de onde era ou coisa assim. Ela ouvia e eu ouvia junto. E me acostumei com aquela coisa que eu chamava só de Ópera.
Assisti a uma apresentação dos trenores no Brasil pela Rede Globo. Não me lembro em que ano foi, sei que ainda era criança, mas aquilo ficou marcado pra sempre em minha memória. Gostei muito do Pavarotti, do Plácido Domingo e do José Carreras, que não tinha nem tamanho, mas esbanjava um vozeirão incrível. Particularmente, acho um saco "O sole mio", mas gostei muito dessa mesma música aquele dia. E o Pavarotti que estava cantando. Também me lembro de "Perhaps Love", que o Plácido Domingo cantou com o Jonh Denver num LP que minha mãe deu pra minha avó. E por causa do pop eu fui me ligando cada vez mais aos tenores.
Comecei a ir atrás de coisas sobre o Pavarotti e escutei até uma versão de "Roots Bloddy Roots", do Sepultura, que supostamente era cantada por ele. Depois me frustrei e descobri que não. Mas tive a gostosa supresa de ouví-lo com o U2, cantando "Miss Sarajevo". Música linda que me arrepia até hoje.
Pavarotti é um daqueles seres humanos que podem até não ter muitos fãs, mas com certeza não desperta ódio de ninguém. As pessoas não gostam do estilo, mas é meio que inatingível. Se ouvirem cantando ou o virem em algum lugar, saberão quem é e saberão que é o cara do vozeirão. Privilégio de poucos.
Com certeza é responsável pelo estouro da música clássica. Ele, junto com Domingo e Carreras, fizeram o mundo gostar de música clássica. E pelo que tenho lido, tinha uma personalidade extremamente afável e sempre foi um grande amigo.

"Sempre admirei a glória divina de sua voz, aquele timbre especial e inconfundível que ia do começo ao fim do alcance da voz de tenor. Quando fizeram Luciano, jogaram o molde fora. Ele será lembrado para sempre como um artista único nos anais da música clássica." - Plácido Domingo.

"Temos que lembrar dele como o grande artista que era, mas também como o homem que tinha uma personalidade carismática e maravilhosa, que era um amigo muito bom e que era um excelente jogador de pôquer." - José Carreras

Os três se apresentaram pelo mundo durante quatorze anos e o álbum The Three Tenors in Concert (de 94) é o álbum de música clássica mais vendido na história.

E, de novo sem demagogia, estou profundamente triste com a notícia.

2 comentários:

Bravo disse...

É meu velho...

Ainda tem gente de bem sim... se bem que, vai lá saber se ele devolveria caso tivesse caido 50 mangos do teu bolso !

Bom... eu prefiro acreditar que isso aconteceria.

Com relação ao Pavarotti não to sentindo muito... calma, eu explico... não to sentindo muito porque, sinceramente não conheço nada dele além de sua maravilhosa voz. Mas respeito sua morte como de qualquer outra pessoa.

Abração do Xinaipes e bom fim de semana.

Tainá disse...

amigo, calma que o mundo não tá perdido... e, se o Pavarotti não é o meu cantor favorito, pelo menos parecia gente boa. E representava muito bem o próprio país, o que nem sempre os artistas daqui fazem... obrigada pela vista