14.1.09

Quanto mais mexe...

você vai ao dentista. descobre que seu dente do siso está fodido, nasceu torto e precisa ser extraído pra não prejudicar o dente da frente. se prepara em seis meses e toma coragem pra aturar a extração. numa sexta-feira, às 15h30 da tarde, vai ao consultório do sr. dentista filho da puta que te aplica seis anestesias e garante que não vai doer. ele começa a escavar o dente pra enfiar o troço que eles usam pra tirar a bagaça.
uma hora e meia depois, mais duas anestesias. o dentista posiciona sua cadeira atrás da sua cabeça e diz, solene:
"eu sei que está doendo, mas aguenta mais um pouco. só mais um pouquinho."
antes que você consiga mandá-lo tomar no cu, ele enfia o troço e puxa com força.você sente seu pescoço ser esticado a níveis sobre-humanos. o dente sai, você sente uma dor terrível, um incômodo gigantesco e ele comemora.
"aí. consegui tirar com as duas raízes. que bom! você não sabe o quanto estou feliz com isso".
engole qualquer elogio à mãe do doutor. ele faz a sutura e diz que agora você precisa tratar o canal do dente da frente porque ele foi prejudicado por causa do siso torto.
até hoje não entendi pra que servem os dentes do siso a não ser pra serem tirados.
vai à outro dentista pra tratar o tal canal que NÃO DÓI. realmente não doía. hoje, 9h30 da manhã, cadeira do dentista.
"vou aplicar a anestesia, você vai sentir só um choquinho".
veio o choque. suportável.
"mais uma aqui embaixo. isso... beleza... tudo bem?".
"tudo." pensei que seria fácil.
a anestesia faz efeito. ainda bem. ele começa com a maldita broca. dói.
"mais uma... vamos lá..."
senti a agulha entrando por baixo do dente. outra ampôla, outra agulha e mais anestesia.
"a língua já foi pro espaço, né?"
"sim."
"e aqui embaixo? tá sentindo ainda?"
"um pouco".
enfia a agulha de novo e pronto. você não sente nada. começa o tratamento.
broca, escavador, aquele troço que ele vai enfiando e mexendo, que dá a sensação de estarem cerrando seu dente... um, dois, os dois juntos e... pronto.
"vou fazer o curativo e você pode marcar o retorno."
eu queria essa merda pronta hoje, pensei. mas tudo bem. não doeu, vou ficar bem.
à caminho da recepção, pra pegar o atestado.
"se doer, toma analgésico."
"tudo bem."
a anestesia passa. começa uma dor insuportável que te deixa num péssimo humor. você chega no trampo com a cabeça toda latejando por causa de uma coisa que não doía até ele colocar a mão. pragueja militarmente contra a família do dentista. toma trinta gotas de dipirona e a dor não passa. pede um lisador emprestado e ameniza. pragueja ainda mais contra o dentista. zoa o colega que tem que tratar um canal e tirar um siso. a dor não passa.
já é hora do almoço, estou com fome e não sei se vou conseguir comer. tomar outro lisador ou não?

2 comentários:

Marco disse...

Acho melhor vc ficar na sopinha...

Fábio disse...

Odeio dentistas. Sério.