10.12.07

Nas graças da audiência

É engraçado como as coisas acontecem. Assim como eu, milhões de outros brasileiros tem uma banda, um grupo ou sonham com o estrelato. Cada qual com seu motivo: realização, reconhecimento, dinheiro, fama, mulheres, limozines ou seja lá o que for.
Há quem diga que não, que jamais se tornaria uma pessoa "pública". Eu, particularmente, duvido: não existe um ego que não se infle com a possibilidade de o mundo saber que ele existe.
Quando comecei a entender o que era uma banda, meu objetivo, além da diversão, era ficar rico, famoso e ser reconhecido na rua. Isso seria a realização de um sonho: sonho que os quatro integrantes da minha primeira banda tinham em comum... isso nos idos de 99. Faz tempo...
A coisa era mais, muito mais, orgânica. Eu tinha cabelos verdes ou azuis ou vermelhos. Me vestia com jeans rasgado, usava um all star baleado (até hoje uso), óculos escuros enormes e de diferentes cores e fazia de tudo pra chamar atenção dos que estavam a minha volta. E conseguia.
Muito do que tenho hoje, falando de musicalidade e amizade, devo ao meu tempo de "fanático pela fama". Meu jeito de me vestir, pentear e "colorir" os cabelos tornou-se moda! Sim! Ao menos durante um ou dois anos, eu vi MUITA gente usando cabelos de outra cor na escola, no condomínio... na cidade de minha avó, onde passava as férias, tornei-me ponto de referência. Todos sabiam quem era o "menino do cabelo azul". Um dia entrei numa farmácia lá e a atendente sorriu e me perguntou onde eu comprei a tinta. "Não é tinta, nasci assim", respondi. Ela riu e eu saí sem responder que era azul de metileno, remédio pra garganta. Segunda a simpática atendente, metade da cidade tinha perguntado na farmácia qual era a tinta que o "menino do cabelo azul" usava. Eu achei MUITO bom.
Talvez essa tenha sido a experiência mais próxima da fama que eu tive. Ninguém sabia meu nome, mas sabiam quem eu era. Durante um curto espaço de tempo meu cabelo ditou moda numa cidade do interior. Isso realmente me fez feliz.
Hoje os tempos são outros. Minha visão de fama não é mais a mesma... mesmo porqe agora eu nem sei se quero mesmo ser "famoso". Queria era poder tocar o que eu toco no ensaio para o maior número de pessoas possível; queria que elas comprassem meu disco e gostassem do que eu faço; queria poder viver fazendo o que mais gosto de fazer. Não quero mais ditar moda. Não quero mais ser referência, ser "símbolo de uma geração" ou tentar salvar o país. A gente fica velho, tudo muda.
É necessário que eu diga que o fato de não pensar mais na fama como eu pensava aos 16 anos não quer dizer que estou lavando as mãos, empurrando com a barriga ou coisa que valha. Nada na vida acontece sem empenho e eu continuo empenhado a fazer da minha banda (ou "das minhas bandas) uma banda profissional, com shows, empresário, fã-clube, roadie (que beleza!), camarim... é... o sonho mudou mas não foi tanto assim.

3 comentários:

Marco disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marco disse...

Não sabia dessa história...
Muito interessante. Acho interessante e também quero ter acesso ao que a popularidade pode proporcinar. Exceto o vírus do egocentrismo. Também acho que isso é totalmente dispensável. Acho que só de poder viver com dignidade e não precisar acordar cedo (todos os dias) já tá bom... UHUhauHAuahUAHuhauHAUha

Abraço!

aldrin disse...

Fama? Vai confiar na estabilidade do humor do público ...

e vai escrever comentário chato assim !